Teantativas Orientais de aproximação

por Jean Riviere. (1979), Editora Salvat, Rio de Janeiro


O Oriente também quis que se conhecessem os aspectos de seu pensamento no Ocidente: o ponto de partida foi diferente, como deveria se imaginar. Tratava-se, por parte dos orientais possuidores de um espírito internacionalista de superar o fosso da ignorância, dos preconceitos, dos erros, que separavam os dois mundos; sabendo de antemão como a Europa julgava a Ásia, quiseram transmitir-lhe aquilo que consideravam a mensagem cultural e espiritual da Ásia. Estes autores, quase todos universitários e normalmente formados no Ocidente, utilizavam as técnicas da ciência européia para melhor esclarecer o seu pensamento. Estes grandes humanistas orientais marcaram profundamente a cultura moderna ocidental e inclusive um deles, Tagore, recebeu o Prêmio Nobel.

Humanistas orientais
Os orientais que quiseram transmitir sua mensagem ao Ocidente foram, e são ainda, numerosos. Entre eles devemos destacar Ananda K. Coomaraswamy (1877-1947), filho de um jurista indiano e de uma mulher inglesa, que nasceu em Colombo (Ceilão). Estudou na Grã-Bretanha e especializou-se a partir de 1911 em problemas de arte. Ingressou no Museum of Fines Arts, de Boston, onde se encarregou do departamento de Arte do Islão e do Médio Oriente. Conhecia uma dezena de línguas e escreveu cerca de quarenta obras em que a arte indiana, especialmente a budista, ocupa o primeiro lugar. A influência de René Guénon foi considerável no seu pensamento e dele extraiu a idéia de uma verdade tradicional única. Apresentou uma teoria original do budismo, considerado não já como heterodoxo, mas sim como proveniente da mesma sabedoria primordial. Por outro lado, esta idéia convenceu Guénon que modificou, mais tarde, o seu ponto de vista sobre o budismo. A. K. Coomaraswamy exerceu profunda influência nos meios Orientalistas da América.
O famoso Premio Nobel da Literatura Rabindranath Tagore (1.861-1941) -em bengali, Ravindranatna Thakura - nasceu em Calcutá; era filho de Debendranath Tagore, reformador social e homem religioso, que continuou a obra de Ram Mohan Roy, fundador de Brahma Samaj. Provinha de uma família de brâmanes, rica e culta, muito enraizada na cultura européia. Tagore quis Ser um laço de união entre ambas as culturas. Dedicou-se a todos os gêneros - teatro, música, novela e estética - e essencialmente foi um poeta, um visionário, um místico, que se inspirou na pura tradição hindu e a adaptou a um público internacional. Cantou, em páginas clássicas, o amor divino a todos os homens e a ascensão da alma humana às cimeiras místicas da união com o Senhor. O seu célebre Gitanjali valeu-lhe em 1913 o Prêmio Nobel da literatura. Em 1901, fundou a escola Shantiniketan, ao pé de Bolpur, em que propôs um sistema educativo baseado em métodos tradicionais hindus, aplicados às modernas disciplinas. Foi um fecundo escritor e dedicou seus últimos anos a dar conferências na Europa, América, China e Japão. A sua obras foi traduzida para muitos idiomas. O extraordinário valor religioso de seus poemas fez descobrir um aspecto ignorado do pensamento místico hindu. Acima de tudo foi um cidadão do mundo. Segundo ele, o Oriente deve aprender do Ocidente o amor ao próximo, e o Ocidente deve aprender do Oriente o desaparecimento da vontade do poder. Amar e servir: estes são os princípios da humanidade.
Mais hinduísta foi o brâmane bengali Aurobindo Ghosh (1872-1950). A sua formação foi ocidental, mais concretamente, britânica. Falava inglês, francês, alemão e conhecia o grego, o latim e o sânscrito. Quando regressou à Índia, participou na Luta política violenta pela libertação do seu país e foi condenado à prisão em 1909, onde teve uma experiência espiritual, uma visão do deus Krishna e quando saiu refugiou-se em Pondichery, então território francês. Em 1910, fundou uma espécie de mosteiro, um ashram que se tornou célebre pouco depois. Tentou, fazer uma síntese dos Vedas e ensinou uma nova interpretação da tradição hindu; os seus pontos de vista pessoais foram discutidos pelos hindus mas suas obras originais e o ambiente internacional do seu ashram, onde viviam mais europeus do que hindus, tornaram-no conhecido no Ocidente. Ghosh criou também uma nova técnica de yoga, a que chamou "yoga integral" e à sua volta agruparam-se numerosos discípulos; o seu ashram ocupou um lugar de destaque na vida de Pondichery. Ao pé desta cidade, está prevista a construção de um centro internacional de meditação, com a participação da UNESCO.
Sarvepalli Radhakrishnan foi sem dúvida o porta-estandarte do hinduísmo moderno e o defensor indiscutível das idéias orientais. Nascido em 1888, no distrito de Madrasta, sua carreira é a de um universitário e de um homem político. Pela sua formação e educação acadêmica era essencialmente um filósofo; foi professor de filosofia nas universidades de Madrasta (1911- 1917), de Mysore (1918-1921), de Calcutá (1921-1931 e 1937-1941), e de religiões orientais em Oxford (1936-1952). Deu numerosas conferências nos Estados Unidos e na China. No campo político, foi representante da Índia na UNESCO desde 1946 até 1952; embaixador na União-Soviética, de 1949 a 1952; vice-presidente da União Indiana de 1952 a 1962 e seu presidente de 1962 a 1967. Morreu em Madrasta, em 1975. Suas obras são filosóficas e tratam de problemas religiosos, sociais e políticos, bem como da atual crise da civilização. O seu pensamento alimentou-se não só nas fontes tradicionais da Índia, como também nos ensinamentos de Platão, Plotino, Emmanuel Kant, Henri Bergson e os teólogos ocidentais. Tentou descobrir a verdade essencial no fundamento de todas as religiões, mas encontrou no hinduismo todas as soluções espirituais; divulgou o modo de vida característico da Índia e deu a conhecer ao Ocidente as bases essenciais da sua cultura filosófica e religiosa, contribuindo para acabar com um grande número de preconceitos que existiam no Ocidente.
Outro oriental, um japonês, teve grande influência sobre a elite intelectual ocidental: Daisetz Teitaro Suzuki (1870-1966), que pode ser considerado Como o principal intérprete do pensamento zen no Ocidente. Estudou filosofia na Europa e traduziu, para japonês, as obras de Emmanuel Swedenborg (1688-1772). Conheceu o budismo zen com dois grandes mestres japoneses: lmakita Kosen e Shaku Soyen. Quis divulgar esta forma tão peculiar do budismo no Ocidente e em 1936 iniciou uma série de conferências na Europa e na América, com notável êxito. As suas numerosas obras foram muito lidas e o zen, graças a ele, foi conhecido no mundo ocidental. É digna de nota a grande influência que teve em certos meios artísticos, literários e até musicais. Membro em 1949 da Academia Japonesa, patrocinada pela Fundação Rockefeller, deu, em 1950, uma série de conferências nos Estados Unidos, tendo permanecido, até 1958, na Universidade de Columbia, regressando seguidamente ao Japão, onde morreu.
A exposição de personalidades orientais que tiveram ou têm ainda influências no Ocidente seria incompleta se não se citassem algumas figuras eminentes, apreciadas por uma certa elite ocidental. Por isso, devemos referir Ramana Maharishi (1879-1950), nascido em Madura, no sul da Índia. Abandonou a família aos dezessete anos, depois de uma experiência mística, e viveu como asceta no monte Arunachala, ao pé da cidade santa de Tiruvannamalai. A sua volta formou-se um ashram para onde acorreram numerosos intelectuais e professores, quando começou a ser conhecido no Ocidente. A sua doutrina é puramente hinduísta, mas soube extrair um ensinamento de valor universal e não temporal, que interessou muitos investigadores ocidentais. Com uma simples técnica de introspecção, levava os seus discípulos a realizar a presença divina dentro de si. Embora Ramana Maharishi nunca tivesse abandonado seu ashram, as obras publicadas sobre ele tornaram-no uma figura internacional.
Por último, é necessário mencionar Svami Ramdas, que se chamou Vital Rao até 1920, data em que abandonou Mangalur e sua família e começou uma vida de asceta errante. Foi devoto adorador de Rama, verdadeiro deus eterno, segundo ele. Possuiu um ashram em Kasaragrod, não longe de Mangaur, e viajou muito pela Índia. O seu Manual de Peregrinação tem um sabor místico, que recorda o dos peregrinos medievais cristãos. A partir de 1954, visitou muitos países europeus, especialmente a Suíça, onde as suas charias causaram profunda impressão. As suas conversas com vários interlocutores e monges católicos foram publicadas com o titulo de "Conversas de Hadeyah" (1957). A influência destas figuras espirituais da Índia e do Japão deixou uma profunda marca numa certa elite ocidental, em cujos escritos se encontram, com muita freqüência, conceitos e idéias recolhidas nas suas viagens pelo continente asiático.

Sociedades e Grupos orientais
Por ordem cronológica, o primeiro aparecimento, no século XIX, de movimentos orientais influenciados pelo Ocidente que tentaram, perante este, reivindicar os direitos do pensamento oriental, foi o de Brahma Samaj, na Índia, fundado pelo brâmane Bengali Ram Mohan Roy (1772-1833), a quem sucedeu o pai de Tagore, como já se disse. Este movimento pretendia reformar o hinduísmo, modernizá-lo e torná-lo capaz de fazer frente ao desafio cultural do pensamento ocidental na Ásia. O Ram Mohan Roy foi para a Grã - Bretanha, como embaixador do Grande Mogul, e aí morreu. Foi este o primeiro hindu brâmane ortodoxo que ousou atravessar o mar e se arriscou a perder sua casta. Estudou o cristianismo e foi o primeiro jornalista e reformador social da Índia. Não aceitou o dogmatismo religioso e procurou a unidade fundamental das religiões. Teve numerosas controvérsias com os ortodoxos hinduistas e os missionários cristãos. Este movimento foi o berço dos futuros chefes nacionalistas da Índia.
Em 1877, outro hindu, um asceta da ordem vedântica de Shankaracharya, Dayananda Sarasvati (1824-1883), fundou a Arya Samaj. Excelente orador, teve grande audiência na Índia e a sua influência foi profunda. Ao contrário de Ram Mohan Roy tentou regressar à doutrina pura dos Vedas e restaurar as antigas formas tradicionais religiosas. Os seus escritos sobre as refomras sociais tiveram grande êxito e propagaram-se na Europa e na América. Já se mencionaram os seus contactos com a Sociedade Teosófica. Em 1887, um colégio anglo-védico, Dayananda, fundado em sua memória, por um grupo progressista hindu, quis unir os métodos tradicionais de ensino com os sistemas modernos anglo-saxônicos, de modo a formar hindus capazes de fazer frente ao desafio cultural ocidental. A sede deste movimento encontra-se, atualmente, em Nova Deli e chama-se lnternational Aryan League; a influência ocidental é muito acentuada.
O grupo hindu que, possivelmente, mais se esforçou pela difusão do pensamento oriental foi a missão de RamaKrishna. A sua origem remonta a um sacerdote do moderno templo de Kali, em Dakashineshwar, perto de Calcutá. Gadadhar Chattopadhyaya, mais conhecido pelo seu nome religioso de Ramakrishna (1834-1886). Foi um grande místico de extraordinária experiência espiritual que, na sua época, teve uma considerável influência na elite de Calcutá. Esta interessante figura do hinduísmo moderno não era, nem um reformador, nem um pregador religioso; a sua intensa experiência interior, autenticamente hindu, atraiu a si numerosos discípulos. Afirmava a unidade profunda das religiões, visto que a realização de Deus é a sua essência. O seu fim era obter a visão do divino, a libertação do homem do jugo das reencarnações, o amor dos seres vivos, sem distinção. A sua personalidade, descrita pelos seus discípulos, principalmente por Mahendranath Gaupta, e revelada ao Ocidente por Max Müller (1894- 1954) e Romain Rolland (1866-1944), destaca-se pela sua grande beleza espiritual. Pode-se afirmar que fortaleceu o hinduísmo e representou um ideal de tolerância, de harmonia e de sentido de divino, que ainda se encontra no espírito de muitos hindus. A sua influência foi enorme no Ocidente; quando morreu, um dos seus discípulos, Narendranath Datta, universalmente conhecido como Vivekananda (1862-1902), filho de um advogado de Calcutá, ficou conhecido no Ocidente pela sua brilhante intervenção diante o Parlamento Internacional das Religiões, reunião realizada em Chicago, em 1893. De regresso à Índia, e tomando como modelo as organizações dos Estados Unidos e Canadá, fundou um conjunto de mosteiros e centros de ajuda social: a missão de Rama Krishna. O seu sonho foi unir a procura do divino e a idéia de serviço. Devido às suas múltiplas atividades sociais: hospitais, dispensários gratuitos, maternidades, escolas, residências de estudantes, centros de ajuda agrícola, publicações e revistas, a missão de Rama Krishna é uma instituição de grande ajuda para a Índia. A sua propaganda no exterior é muito ativa e existem centros da missão na Europa e nos Estados Unidos. Por intermédio de revistas, conferencias e diversas atividades, difundem a mensagem de Rama Krishna, o pensamento hindu e a filosofia do Vedanta.
Por último, deve-se mencionar, para uma relação completa, o movimento dos Sufis do Ocidente, fundado por Hazrat Inayat Khan, provavelmente a única tentativa de origem muçulmana que se propôs dar a conhecer ao Ocidente o pensamento islâmico e tentar uma compreensão recíproca. O seu fundador nasceu em Baroda, Índia, em 1882. O seu avô, Maula Buksh, que na sua época foi famoso como músico-poeta sufi de elevada espiritualidade, ensinou a seu neto os segredos da arte da música devota; o seu êxito perante os rajás e o público culto indiano foi extraordinário; foi iniciado na aluem Sufi de Khaja Moinudin Chisti, por Seyed Mohammed Madani. Ao morrer pediu ao seu neto Inayat que fosse pelo mundo tentar harmonizar o Oriente e o Ocidente e este, em 1910, foi aos Estados Unidos, onde deu conferencias nas Universidades de Columbia e Nova York. Criou centros sutis na América e na Europa e morreu em 1927. A sua mensagem é uma prédica de amor, paz, harmonia e liberdades espirituais; divulgou a música devota do Islão, que considerava como o melhor caminho para o desenvolvimento espiritual, acrecentando-lhe ainda técnicas tradicionais de meditação. O Sufismo ocidental de Hazrat Inayat Khan está ainda em atividade. Existem centros na Europa, especialmente nos países baixos, onde conta com numerosos membros.

As missões Budistas
O Budismo nascido na Índia no século V a.C., apresentou-se como uma associação espiritual, comunitária e missionária. Buda encarregou o primeiro grupo monacal que se formou de ir a todos os lados divulgar a sua mensagem. Esta atitude não se alterou desde então. O imperador Ashoka (-274 a -232) enviou missionários aos reinos helênicos do oeste da Ásia, ao norte da África e ao Ocidente. Pouco depois, o budismo, através dos seus missionários, espalhou-se pelo Tibet, China, Mongólia e Japão.
Até a segunda guerra mundial, este trabalho de propaganda exerceu-se sobre a massa asiática e nas universidades. A escola de língua Pali, no Camboja, fundada em 1914, foi um centro monástico e sede de publicações científicas. Em 1930, um instituto budista, situado em Pnom Penh (Cambodja), publicou traduções de textos. Em dezembro de 1912, efetuou-se um congresso budista chinês em Xangai (China) com assistência de mais de 5000 monges. Em 1891 havia se fundado em Calcutá a famosa sociedade budista Mahabodi Society, que estabeleceu relações com budistas de diversos países asiáticos.
O Budismo introduziu-se na Europa nos princípios do século. Em 1904, um monge japonês professor em Tóquio, Kaikioku Watanche, expôs a doutrina budista no congresso de História das Religiões, celebrado em Basileia. Em 1905 um mestre Zen, Shaku Soyen, deu uma série de conferências nos Estados Unidos que tiveram grande êxito. Posteriormente, em 1907, fundou-se em Londres a Sociedade Budista e em 1922 a União Budista Internacional. O seu ativo e competente animador é Christmas Humphreys. Até 1930 um monge chinês, Tai hsu, que na China, em 1922, tinha fundado uma Escola Mundial do Budismo, tentou estabelecer um Instituo Internacional Budista, para divulgar a doutrina de Buda e, com esse fim, percorreu as principais capitais européias. Estava persuadido de que a "doutrina budista é perfeitamente capaz de unir todas as atuais formas de civilização". No entanto as guerras internas chinesas e a Segunda guerra mundial travaram o desenvolvimento deste vasto movimento internacional.
Depois da Segunda Guerra Mundial, renovaram-se os esforços, principalmente por parte do Budismo Theravada, habitualmente conhecido como Hinayana ou EScola do Sul. A primeira tentativa foi a criação de uma missão budista na Birmânia, que logo fundou cerca de 30 centros na Ásia. O Governo da Birmânia, considerado protetor da fé budista, promulgou em 1950 uma lei pela qual se criava uma universidade de língua Pali, a língua sagrada do budismo do sul. Institui-se a Budhist Sasana Council, encarregado de desenvolver os movimentos a favor do budismo na Birmânia e fora do país. Esta tendência ecumênica e a forma de missão adotada pelo budismo, desde há trinta anos, correspondem ao espírito de independência e vigor nacional dos novos países livres da Ásia. Este espírito ecumênico é evidente na idéia de unificar os três grandes ramos do budismo com a criação da World Fellowship of Buddhists (Associação Budista Mundial), que se estabeleceu em Ceilão (1950), Japão (1952), Birmânia (1954) e Nepal (1956). O acontecimento mais notável foi a celebração em Rangum (Birnlânia) do VI Grande Concilio Budista (1954-1956), o Chattah Sangayana, em que milhares de delegados do mundo festejaram o 2000o aniversário de Burla. Foram lidos textos sagrados budistas, que foram estudados e aprovados como textos canônicos. A UNESCO ocupou-se intensamente deste acontecimento e pode considerar-se que o Concílio Budista teve uma repercussão mundial, amplamente difundida pelos meios de comunicação internacionais. O Oriente dirigiu-se ao Ocidente e mostrou-lhe um aspecto da sua religião.
Esta propaganda oriental em direção ao Ocidente continua por parte do Japão, onde o pensamento e a fé budistas ocuparam um lugar proeminente; as autoridades japonesas permitiram aos sábios europeus trabalhar nas bibliotecas e nas universidades. Sylvain Lévi, Otto Rosemberg, Bruno Petzold e Sir Charles Eliot estudaram em Tóquio. As universidades japonesas têm cadeiras de budismo em que os textos são comentados, comparados e traduzidos de acordo com as mais modernas técnicas. Têm ao seu dispor fontes chinesas, palis, sânscritas e tibetanas, e mais de 200 universitários especialistas nesta disciplina. Além disso, têm-se realizado contínuos e ativos intercâmbios entre universitários ocidentais e centros japoneses. O Oriente é ainda interessante para a elite intelectual do Ocidente.
Este tipo de aproximação ao Oriente através do seu pensamento filosófico e religioso é talvez o mais interessante, o mais profundo e o mais seguro, porque, juntamente com o conhecimento da sua literatura, artes plásticas e música, permite uma melhor compreensão dos valores naturais desta parte do mundo.
Evidentemente que este é um caminho semeado de obstáculos: o pensamento religioso não obedece, de um modo particular, à lógica do pensamento científico e, às vezes, aparece confuso, estranho, primitivo e contraditório. Por isso, além dos grandes movimentos ordenados e disciplinados e das eminentes personalidades orientais que referimos, há um certo número de viajantes orientais que se dirigem ao Ocidente em busca de fortuna, sobretudo para os Estados Unidos. São atraídos pelo velho exemplo de Vivekananda; a sua categoria é muito variada e vai desde o saddhu hindu, o monge Zen de coração puro e boa fé que acredita poder converter o Ocidente com a sua simples presença, até ao homem de negócios vestido com uma túnica amarelada. Infelizmente encontram sempre audiência, porque o homem ocidental, em questões religiosas, é como uma criança ingênua, incapaz de discernir criteriosamente. O atual número de professores de meditação de Yoga, de Zen e de filosofia oriental é impressionante, mas também é interessante o número dos desorientados, dos céticos e às vezes dos desesperados espirituais que deixam atrás de si. É necessário muito sangue-frio, prudência, capacidade de julgar e boa orientação para se tentar uma aproximação religiosa ao Oriente.